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#15CongressoCUT, debate sobre a financeirização, automação e futuro do trabalho.

29/08/2017

A Central refletiu sobre a velocidade com que transformações profundas vem acontecendo no mundo do trabalho

Escrito por: Sérgio Souza Júnior CUT/MS com informações CUT nacional

No segundo dia de debate do Congresso Extraordinário da CUT, que está sendo realizado em São Paulo, entre os dias 28 e 31 de agosto, a central fez importantes reflexões que apontam para a necessidade da classe trabalhadora se organizar e se preparar para mudanças profundas que devem acontecer no mundo do trabalho em um curto período, por conta do avanço das tecnologias de informação.

Celso Amorim relatou que muitos empresários estão entrando no mercado financeiro, vendendo suas empresas e para participar de empresas internacionais deste tipo, causando impactos no processo de desindustrialização brasileira, “a Metal Leve, por exemplo, após sua venda, fechou o setor de pesquisa”, citou Amorim .

A financeirização, um fenômeno mundial.

“Na Grécia há um estrangulamento total economia, agora se fala em pequena recuperação, mesmo assim continua a fuga de trabalhadores jovens para outras partes da europa. No caso da França, a inserção a globalização, houve a eleição de Macron, candidato de centro direita... que chegou a ter 60% de popularidade, caiu para cerca de 40% de apoio... por causa justamente das medidas similares ao que se está fazendo no Brasil, que é reduzir a estabilidade do trabalhador, as garantias do trabalhador, tornar o mercado entre aspas mais eficiente, mas ao preço aprofundamento da injustiça social”, disse o palestrante.

Amorim reforçou que no Brasil, a desindustrialização é acompanhada pela desnacionalização. Muitos dos capitalistas hoje ganham mais dinheiro no mercado financeiro do que na atividade produtiva e isso reduz o interesse deles no mercado produtivo nacional.

“No Brasil temos assistido a queda do percentual do Pib, acompanhado de fortíssima desnacionalização... o problema não é só deixar de ter atividade industrial, mas é também que a pouca atividade industrial que sobra, mesmo com incentivos do estado, ela se faz com setores que geram menos valor agregado, a parte toda de planejamento da produção, design, a propriedade intelectual, estão em outros países do exterior, alertou Amorim.

O ex-ministro também rendeu homenagem à luta do Samuel Pinheiro e da CUT, que foi travada contra a Alca, entre outros elementos, citou que os norte-americanos mais queriam eram a propriedade intelectual, quando isso foi impossibilitado por pressão do Brasil, então os EUA se desinteressaram.

Não há possibilidade de sair do subdesenvolvimento sem forte apoio do estado. Pouquíssimos países que saíram do subdesenvolvimento, tais como a China e Coréia do Sul que tinham forte apoio do estado. Até hoje os Estados Unidos, pátria proclamada do capitalismo, 50% da pesquisa ou mais, é financiada pelo pentágono.

No Brasil, há uma inocência em privatizar, em cima disso tudo o que acontecerá é a desnacionalização, pois o governo repassaria áreas importantes do país para empresas estrangeiras.

Concordando com Amorim, o professor Ladislau Dawbor afirma que o eixo do debate é a soberania, a democracia e desigualdade.

Neste sentido, o professor reforçou que a financeirização da economia paralisa este processo produtivo.

Ele explica que o nosso dinheiro tem sido extraído pelos bancos, “o grande problema é onde estão esses capitais, estão essencialmente em processo de rentabilização financeira” ele citou um caso particular, onde a gerente perguntou a ele, o senhor quer investir em que?”, no que ele respondeu que investimento é quando se constrói alguma coisa, tal como pontes, estradas, infraestruturas, já a aplicação financeira é quando se compra papéis, nos últimos 40 anos estas aplicações tem aumentado o seu valor em média 7% ao ano, dados americanos, enquanto o PIB cresce menos de 2,5% por ano, em média no mundo.

Neste sentido, o capital financeiro não está financiando a atividade produtiva, pois o dinheiro está indo para o sistema financeiro e ele descapitaliza a economia.

Meio ambiente, redução da desigualdade e financiamento

Nós sabemos o que funciona. “se você pega parte de nossas reservas internacionais, parte do compulsório, a capacidade dos bancos públicos darem crédito barato, você pode estimular a demanda da base população” afirmou Dawbor.

“Qual o principal motor economia? É a demanda das famílias, ela estimula a atividade empresarial”, quando tem muita demanda, estas atividades empresriais produz mais, gerando mais empregos, que gera mais renda ainda.

“Tanto a atividade das famílias através do imposto indireto sobre o consumo, como a atividade empresarial, geram mais impostos... com esse fluxo de receita, gerado por mais atividade econômica, o estado cobre aquilo que ele investiu... basicamente, investimento e infraestrutura, com políticas sociais, crédito barato, para dinamizar a economia pela base”, afirmou Dawbor.

Ladislau também destacou os milhões em impostos que são “investidos” em banco ao invés de desenvolver estrutura e políticas sociais, cortando o salário indireto, como creche, saúde e educação universal e gratuitos, entre outras.

O professor afirmou que os desafios são grandes com as novas tecnologias, mas também vê oportunidades. “No Quênia pequenos agricultores conseguem fazer contatos direitos com quem vai comprar seus produtos via celular, tirando o intermediador do processo”, contou. Ele acredita que a produção baseada no conhecimento está em alta. “Qualquer agricultor hoje tá usando analise de sol, hídrica, entre outros e mais da metade do valor dos produtos, não é trabalho físico é conhecimento”, frizou.

O professor Lucas Tasquetto disse que os riscos das novas tecnologias e a automoção esbarram na substituição de empregos permanentes. Segundo ele, no contexto norte americano, 47% da mão de obra total se caracteriza com auto risco de ser automatizados em uma década ou duas e podem ser extintos. “A proporção do risco dos empregos quando traz para os países em desenvolvimento chega a 70%”, contou.

Tasquetto destacou que os futuros postos de trabalho precisarão de menos pessoas, mas com conhecimento técnico e que a “uberização” da economia pode degradar a relação do trabalho diminuindo salários e reduzindo as chances de negociação com os sindicatos.

“Os trabalhadores e as trabalhadoras terão que assumir todos os riscos do trabalho individual e com a lapidação dos direitos trabalhistas isto se aprofunda”, explicou. Para o professor, “os sindicatos precisam se atentar ao assunto e o precisamos cobrar do Estado políticas que moldem a governança da internet para garantir segurança dos trabalhadores neste novo mundo do trabalho, que não há mais volta”.

Sueli Veiga, dirigente nacional e estadual da CUT, reforçou em sua intervenção no plenário, que este debate será muito importante, para os sindicalistas da CUT levarem para as suas bases. “Para reafirmarmos qual projeto nós queremos, qual economia nós queremos, quais são as relações de trabalho que nós queremos, qual o modo de viver que queremos como classe trabalhadora para todos e para todas” disse.

Genilson Duarte, Presidente da CUT-MS, comentou que vem sendo realizados debates muito avançados no congresso, “com certeza, voltaremos ao Mato Grosso do Sul para realizarmos nossa organização, após este congresso tão importante e construir as lutas que estão sendo debatidas neste evento”.

Para Robson Willian, metalúrgico dirigente da executiva CUT-MS, os sindicalistas precisam se preocupar com a crescente perda de empregos que estão acontecendo, devido a automação, “eu estimo que em nossa área, ao longo do prazo, a redução vagas de empregos para os trabalhadores deve chegar a quase 60%”, concluiu.

A delegação da CUT Mato Grosso do Sul neste evento é composta por Genilson Duarte Presidente da CUT-MS, Dilma Gomes Secretária Geral da CUT-MS, Vilson Gregório Secretário de Finanças da CUT-MS, Sueli Veiga Secretária de Formação da CUT-MS, Róbson Willian Secretário de Meio Ambiente CUT-MS, Idalina Silva Secretária de Combate ao Racismo da CUT-MS, Fátima Silva Secretária Geral da CNTE, Roberto Botareli ex-Presidente da FETEMS delegado CNTE, Orlando Almeida, bancário Secretário Jurídico do SEEB/CG, José Abelha Neto Presidente do SintracomCG e Élvio Vargas Secretário de Finanças do Sinergia.

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